Acredite: quase 130 anos após a abolição da escravatura no Brasil, ainda há registro de trabalho escravo no Maranhão. Nesta semana, em ação conjunta com outros órgãos, o Ministério Público do Trabalho do Maranhão (MPT-MA) resgatou 20 pessoas em situação análoga à de escravo, em Vargem Grande, município distante 172 km da capital e localizado no norte do Estado.

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Os empregados atuavam na extração da cera de carnaúba e foram flagrados em situação degradante, sem acesso à água potável, dormindo em redes ao relento, sem acesso a sanitários e sem carteira de trabalho assinada.

A carnaúba é considerada uma palmeira nobre, explorada nos Estados brasileiros do Ceará, Piauí e Maranhão. A cera produzida a partir da palha seca é usada na produção de chips, cabos e outros componentes de celulares e computadores. China e Estados Unidos estão entre os principais mercados de destino dessa matéria-prima.

A operação teve início na última segunda-feira (11) e segue em andamento, já que o empregador da mão de obra escrava ainda não foi identificado. Ninguém foi preso até o momento.

De acordo com o procurador do MPT-MA que integra a equipe, Estanislau Tallon Bozi, os 20 homens resgatados estão hospedados em um hotel de Vargem Grande e ainda não receberam as verbas rescisórias.

Além do MPT-MA, participam da operação o Ministério do Trabalho, Ministério Público Federal, Polícia Rodoviária Federal e Defensoria Pública da União. Trata-se de um trabalho do Grupo Móvel Nacional, responsável pelo resgate de trabalhadores em situação semelhante à escravidão em todo o país.

Informações preliminares confirmam que os trabalhadores são naturais das cidades de Granja e Martinópolis, no Ceará, que também fazem parte da rota de municípios produtores de cera de carnaúba.

O empregador que explorava os 20 homens será investigado pelo MPT-MA, podendo, inclusive, ser processado na Justiça do Trabalho e pagar indenização por dano moral coletivo.

Combate ao trabalho escravo no Maranhão

Atualmente, o MPT-MA conduz 52 investigações dentro da temática do trabalho escravo em todo o Estado. O órgão possui 65 ações civis públicas ativas na Justiça do Trabalho e acompanha o cumprimento de 72 termos de ajuste de conduta, que foram assinados pelos exploradores de mão de obra escrava em território maranhense.

Segundo o Ministério do Trabalho, de 1995 a 2015, foram libertadas 3,24 mil pessoas de situação semelhante à de escravo em todo o Maranhão.

O Estado é o maior fornecedor de mão de obra escrava do Brasil, já que 23% dos resgatados do país são maranhenses.

As principais atividades econômicas que exploram o trabalho escravo no Estado são: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal e construção civil.

Sobre o perfil dos resgatados, 95% são homens, 33% analfabetos, 39% estudaram até o quinto ano e 83% têm entre 18 e 44 anos.

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